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Chinua Achebe, o pai da literatura nigeriana moderna

Quinto de seis filhos, Albert Chinualumogu Achebe nasceu em 1930, no vilarejo de Ogidi, lado oriental da Nigéria colonizada pelo império britânico. Famílias privilegiadas como a de Chinua era educadas em inglês, e o cristianismo começava se alastrar pelo país.

Chinua Achebe
Chinua Achebe

Tais circustâncias não impediam o menino de permanecer avidamente interessado pela religião e cultura dos seus antepassados. Afinal, Chinua e sua família pertenciam à etnia igbo, um dos maiores e mais tradicionais grupos étnicos da África.

Havai, porém, um problema crucial. Por mais que se tentasse conciliar de maneira harmônica costumes do passado e do presente, a imposição de uma vida aos modos europeus na Nigéria - e na África como uma todo - enfraquecia qualquer tentativa de valorização das ancestralidades. Nas instituições de ensino pelas quais passou, Achebe foi educado com uma visão unilateral sobre história, seus colonizadores e sobre si mesmo.

Leu autores como Shakespeare, Dickens e Swift, além de diversos romances europeus sobre a África. "Eu não me via como um africano naqueles livros. Eu estava do lado dos homens brancos contra as selvagens. O homem branco era bom, racional, inteligente e corajoso. Os selvagens que estavam contra ele eram sinistros e estúpidos, nunca caracterizados com algo superior à astúcia. Eu os odiava", escrevia em seu livro The Education of a British-Protected Child (2009).

Mas a maturidade foi chegando e, com ela, as máscaras e mentiras foram sendo expostas. Na então recém-criada Universidade de Ibadan, onde trocou o estudo de medicina pela de artes liberais.

Em 1954, conseguiu um emprego em uma importante rádio local na cidade de Lagos, quando, enquanto trabalhava na criação de scripts, começou a escrever seu primeiro romance. Quatro anos de aperfeiçoamento e diversos envios a editoras inglesas culminaram na publicação de O mundo de despedaça (1958), livro que pernameceu até a morte de Achebe como sua criação mais relevante.

Conhecida hoje como uma das obras fundamentais da literatura africana, com cerca de 20 milhões de cópias vendidas e traduzidas para mais de 50 línguas, O mundo se despedaça compreende qualidades e suscita interpretações que intrigam leitroas e críticos até hoje, mais de 60 anos depois da sua publicação. Com críticas favoráveis surgindo dos mais respeitados periódicos, o título foi um sucesso imediato na Inglaterra e nos Estados Unidos. Em 1964, o romance foi incluído nas leituras obrigatórias de diversas escolas da Nigéria - até então, todas as obras indicadas eram escritas por europeus ou americanos.

Agora na condição de porta-voz de uma nação perante ao mundo, Achebe deu continuidade à sua obra com três romances na década de 1960, todas abordando o conflito entre modos tradicionais de vida e as perspectivas novas e coloniais. Como A paz dura pouco (1960), A flecha de Deus (1964), A man of the people (1966).

A man of the people (1966), obra nunca traduzida para o português, que, voltada para questões políticas e morais internas do continente africano, acabou por antecipar os golpes de estados da Nigéria em 1966 que culminaram na proclamação da República do Biafra e na consequente Guerra do Biafra, que durou trinta meses e matou centenas de milhares de cidadãos igbo.

Apoiador da independência biafrense, o escritor e sua famílila precisaram fugir por diversas vezes durante o conflito, e Achebe chegou a vijar para os Estados Unidos para divulgar internacionalmente os grandes dramas de seu povo.

As consequências da guerra deixaram marcas profundas na obra do escritor, que, abalado, parou de escrever romances por cerca de vinte anos. Nesse período, dedicou-se ao magistério em universidades americanas e nigerianas e publicou elogiados contos e compilações de poesia.

Somente em 1987 voltaria ao formato que o consagrou, com Anthills of the Savannah. Em 1990, Achebe sofreu um grave acidente de carro que o deixou irreversivelmente paraplégico. Sua motivação para escrever e lecionar manteve-se intacta, e ele foi professor por mais de quinze anos na Bard College, no estado de Nova York.

Receberia o prêmio mais importante da carreira, o Man Booker International Prize, pelo conjunto da sua obra, em 2007. A essa altura, nem mesmo um Prêmio Nobel seria necessário para garantir o lugar de Achebe, falecido em 2013, aos 82 anos, como um dos autores mais representativos do século XX. Da sua grandiosa estreia com O mundo se despedaça até a sua morte, o escrito tomou para si a missão de apresentar ao mundo a perspectiva do seu povo.



Fonte: Tag Livros

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