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Crise de gravidez na adolescência no Quênia durante bloqueio do COVID-19



Desde que a pandemia atingiu o Quênia em meados de março, os profissionais de saúde têm alertado sobre o potencial de aumentar as taxas de gravidez na adolescência.

O fechamento de escolas isolou as meninas dos professores, que podem soar o alarme me casos de suspeita de abuso em casa, e os alunos têm sido deixados ociosos e muitas vezes desacompanhados de pais ocupados, As restrições ao movimento também dificultaram o acesso das meninas a anticoncepcionais e serviços de planejamento familiar, e o toque de recolher obrigatório prendeu as meninas em casas com parente e vizinhos predadores.

Muitos artigos publicados não conseguiram colocar o número de gravidez na adolescência em um contexto. No Quênia, a gravidez precoce de alto risco tem sido um desafio para a sociedade. Os dados demográficos do governo de 2014, os mais recentes disponíveis, mostram que 15% das meninas de 15 a 19 anos já haviam dado à luz, e outro 3% estavam grávidas do primeiro filho - as taxas mais altas na África Oriental.,

Suportando qualquer aumento relacionado ao COVID-19 na gravidez de adolescentes estão outros desafios significativos, incluindo financiamento insuficiente para serviços de saúde reprodutiva e falta de educação sexual abrangente nas escolas - que contribuíram para os números alarmantes do Quênia.


COVID-19 torna tudo pior


Dados nacionais abrangentes sobre o impacto de COVID-19 nas taxas de gravidez na adolescência ainda não estão disponíveis. Pelo menos anedoticamente, porém, alguns profissionais de saúde suspeitam de um efeito do coronavírus.

Elizbeth Mariara é enfermeira e dirige um clínica de saúde reprodutiva na zona rural do Quênia. O número de mulheres grávidas de 16 a 18 anos que foram à clínica dela em abril e junho de 2018 foi de quatro; depois, três em 2019. Neste ano, esse número saltou para 30 no período.

Mariara disse que também está vendo um aumento no número de adolescentes que dizem estar grávidas de incesto. Ela nunca havia encontrado um caso de incesto antes, disse ela, mas este ano já teve dois.

Siddharth Chatterjee, o coordenador residente da ONU no Quênia, advertiu que casos individuais e anedóticos não devem ser usados para extrapolar um padrão nacional.

"Confirmar os números precisos neste momento ainda é bastante complexo", disse ele. "É muito cedo para dizer se houve um aumento na gravidez na adolescência ou se é de acordo com os níveis atuais que já existem. Gravidez indesejadas na adolescência sempre foram muito, muito altas."


Financiamento desaparecendo


Mas outros fatores podem tornar as meninas mais vulneráveis a quaisquer riscos de gravidez relacionados ao COVID-19.

O governo dos EUA tem sido historicamente um grande contribuinte para o orçamento de saúde do Quênia. Mas desde que o presidente Donald Trump reinstaurou e expandiu a política que proíbe o financiamento de ONGs que oferecem aconselhamento, encaminhamentos ou serviços relacionados ao aborto - muitas vezes referido como a política da Cidade do México ou regra flobal da mordaça - as organizações quenianas de saúde reprodutiva e planejamento familiar têm lutado com financiamento reduzido. Alguns tiveram que fechar as portas, segunda a ONG Family Health Options Kenya.

A Rede de Saúde Reprodutiva do Quênia (RHNK), um grupo de provedores de saúde pró-escolha e organizações de defesa, compra anticoncepcionais e outros itens de saúde e os distribui para provedores menores em todo o país. O grupo se recusou a aderir às limitações da política americana e não recebe mais fundos de Washington.



Falta de educação sexual


Em 2013, o governo queniano se comprometeu a expandir a educação sexual, iniciando cursos nas escolas primárias. Mas os esforços para cumprir essa promessa encontraram forte oposição de grupos conservadores e religiosos.

Atualmente, quando a educação sexual é ensinada, os cursos se concentram principalmente na prevenção do HIV e na abstinência - o que significa que o conhecimento dos alunos sobre saúde reprodutiva e sexual é frequentemente limitado.



O que isso significa para as meninas


Complicações na gravidez e no parto são a principal causa de morte entre meninas de 15 a 19 anos em todo o mundo, de acordo com a OMS. Um estudo queniano de 2017 sobre mortes maternas revelou que 9% das mulheres que morreram no hospital eram adoslescentes.

Das adolescentes grávidas que sobrevivem ao poarto, quase 98% abandonam a escola, mostra uma pesquisa realizada no Quênia no ano passado pela Plan International.

A maioria nunca voltará, sem educação, a sobreviência de muitas meninas significará recorrer ao sexo transacional ou ao casamento com um homem que pode "manter" ela e seus filhos.

O legado de altas taxas de gravidez na adolescência quase certamente vai durar mais que o coronavírus no Quênia.


Fonte: The New Humanitarian

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