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Em Lesoto, artistas dão vida a formas de resistência cultural

Atualizado: 9 de Set de 2020



A pobreza absoluta e os problemas que decorrem dessa situação assolam Lesoto, uma monarquia parlamentarista, com seu território totalmente cercado pela África do Sul. A instabilidade política e econômica elevaram o desemprego a 27,2%, uma das maiores taxas do continente africano. Além disso, 55,4% da população vive em pobreza absoluta; 24% dos adultos têm HIV, a segunda maior taxa do mundo; e 33% das crianças são órfãs, ou vulneráveis.

No contexto em que a sobrevivência é um desafio para a maioria de seus dois milhões de habitantes, as expressões de resistência cultural brotam em defesa da identidade e dignidade de um povo. É o que mostra o documentário De lixo a tesouro, transformando negativos em positivos (tradução livre de: From trash to treasure, transforming negatives into positives), da diretoria brasileira de ascendência coreana Iara Lee.

No documentário, lançado no YouTube, cineastas de Lesoto mostram a necessidade de acabar com o casamento infatil e músicos escrevem canções sobre mudanças climáticas. Também são mostrados agricultores que coletam sementes para proteger espécies de árvores ameaçadas de extinção. E designers que usam a roupa para preservar a cultura tradicional da etnia Basotho e desafia as percepções comuns da África.


Ressureição


"Este filme é sobre as pessoas que dominaram o talento para a ressureição. Sinto-me inspirada pela tremenda desenvoltura das comunidades de base neste pequeno país, sua criatividade e seu desejo de transformar coisas negativas em positivas", diz a diretora Iara Lee.

Um dos personagens do filme é um artista chamado Nthabiseng TeReo Mohanela. Ele pega materiais descartados e os transforma em roupas e acessórios exclusivos. Ensinando aos jovens os benefícios da reciclagem e recriação, ela chama seu projeto de "Do Lixo ao Tesouro".

Com o trabalho de TeReo como ponto de partida, este curta-metragem mostra um espírito mais amplo de reimaginação entre os artista do Lesoto, que usam a criatividade para responder a problemas sociais enraizados.


Ajuda aos artistas


Depois de filmar no Lesoto, a diretora Iara Lee criou um prêmio para retribuir às pessoas e organizações apresentadas no documentário. Os prêmios, no valor de mil dólares cada, incentivam os contemplados a continuar realizando seus trabalhos e a retribuí-los à sociedade.

Iara Lee é uma cineasta que está sempre em busca de temas inusitados e de resistência cultural. Ela, que trabalhou na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo nos anos 1980, atualmente vive em Nova York.


Documentário:




Fonte: Rede Brasil Atual

 
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