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O que foi o Apartheid na África do Sul?

Desde 1975, os ingleses e holandeses se alternavam no controle da região que hoje é a África do Sul. A briga pela posse só terminou com as Guerras dos Bêres (1800-1902), vencida pelo Reino Unido.

O país reconheceu a independência da África do Sul em 31 de maio de 1910 e oficializou a soberania em 1931 – mas manteve leis que, informalmente, preservavam a segregação racial.


Em 1947, o Partido Nacional Sul-Africano venceu as eleições e, em 1948, consolidou a segregação com leis que limitavam os direitos da população negra e favoreciam a minoria branca (menos de 20% da população, na época).

Nascia o Apartheid, a institucionalização do preconceito racial, garantido só aos brancos um padrão de vida do nível das nações de Primeiro Mundo. As leis afetavam todos os aspectos da vida dos negros. A partir de 1949, eles foram proibidos de casar ou fazer sexo com brancos. Em 1950, surgiu a obrigação de carregar uma identificação de seu grupo racial.

Como as autoridades cometiam erros nas classificações, especialmente em relação aos mestiços, membros de uma mesma família chegaram a ser separados. Até 1950, diversos assentamentos eram habitados por etnias variadas. Mas, nesse ano, a Ato das Áreas do Grupo delimitou setores específicos para os negros - geralmente, nas zonas rurais, com pouca infraestrutura e saneamento.


Essa lei também servia como desculpa quando o governo queria executar remoções forçadas - o que viria a se tornar frequente nos anos seguintes. As vítimas do Apartheid estudavam em uma escola diferente da dos brancos, com conteúdo planejado para mantê-los na classe trabalhadora.

Frequentar universidades era proibido. E, a partir de 1953, vários outros ambientes passaram a ser demarcados como "somente para brancos", com áreas municipais, bancos de praça, ônibus, restaurantes e hospitais.


Grupos de resistência a Apartheid começaram a surgir desde 1949, e sempre enfrentados com violência pelas autoridades. Em 21 de março de 1960, em um protesto em Sharpeville, 69 manifestantes foram mortos pela polícia. Nos dias seguintes, o governo declarou estado de emergência. Cerca de 18 mil pessoas foram detidas e os grupos de resistência, desmantelados.

Facções de resistência formadas por diferentes grupos étnicos começaram a organizar greves em serviços básicos. Um dos organizadores era um líder dos povos thembu: Nelson Mandela. O governo reagiu com brutalidade. Mandela foi preso várias vezes e, em 1964, condenado à prisão perpétua. Passou por três penitenciárias, onde sofreu violências verbais e físicas.

O Aparthei derrubou a economia - faltava mão de obra especializada, por exemplo. O governo ainda gastava muito para conter as rebeliões. Para piorar, em represália à política de segregação racial, a ONU impôs séria sanções econômicas aos país em 1962 e um embargo de armas em 1980. O Comitê Olímpico Internacional também baniu a África do Sul da Olimpíada de 1964.

Em fevereiro de 1989. F.W. de Klerk assumiu a presidência. Sob pressão nacional e internacional, iniciou trabalhos políticos para reverter o Apartheid e liberar presos vítimas da segregação.

Mandela foi perdoado em 11 de fevereiro de 1990 e, quand a nova constituição de 1993 assegurou direito de voto aos negros, não deu outra: ele foi eleito presidente no ano seguinte.


Confira o vídeo:



Fonte: Super Interessante

 
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