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Padre moçambicano lança livro sobre a pandemia na África

O livro “A Coragem e confiança em Deus – Luiz Fernando, o amor, a vida e a missão”, escrito pelo padre moçambicano Latifa Fonseca, de 45 anos, foi lançado nessa semana em Cascavel. 

A publicação é formada por crônicas que retratam o período de pandemia na África.


“Todo o mundo foi surpreendido pelo coronavírus. O tema principal relata o que se passa no país devido a doença, a realidade que vivemos ao longo do ano enfatizando o encorajamento para as pessoas enfrentar o terrorismo, a pandemia e a nossa relação com o Brasil”, conta o padre Fonseca.


Uma pessoa foi fundamental durante o processo de escrita e coletânea dos textos para que a obra fosse concretizada foi o bispo brasileiro, Dom Luiz Fernando Lisboa, da Diocese de Pemba, cidade localizada ao norte de Moçambique e que dá nome ao livro. "É uma forma de demonstrar o quanto ele ama o povo moçambicano e também reforçar o vínculo entre Brasil e África. Escrevia de manhã e à tarde enviava para o Luiz Fernando. Ele sempre foi muito importante para o nosso povo, inclusive nestes últimos meses em plena pandemia notifica o governo sobre as dificuldades e busca soluções para a nossa comunidade", relata.


O padre conta que em meio a tanto sofrimento, em muitas localidades do país, a Covid-19 foi vista como apenas mais um desafio em meio a tantos outros.


“Como já vínhamos há três anos enfrentando o terrorismo o coronavírus foi uma gota de sangue no mar, onde nem se percebeu. As pessoas continuam sendo orientadas a cumprir as normas  de distanciamento e cuidados sanitários, mas sem acreditar muito porque o mais impactante foi e é o terrorismo”.


Fonseca relata que ações de cuidados de higiene e prevenção não fazem parte da rotina de todos e que a situação ficou mais desafiadora quando a doença chegou. “Alguns lugares que acolhem os atingidos pela guerra possuem cerca de cinco mil pessoas, sem moradia, sem nada, muitas vezes sem ao menos saneamento”.


Algumas províncias em Moçambique possuem um número expressivo de casos da covid-19, mas segundo ele, em vários outros locais onde vivem os deslocados de guerra como norte e nordeste do país, ainda não foram registrados óbitos e nem sequer casos de coronavírus.  “Os casos que tivemos são distantes destes locais onde ficam os acampamentos dos deslocados. Acredito que Deus agiu na história dessa gente que já é de muito sofrimento. A pandemia poderia eliminar a raça, exterminar com meu povo”.


Fonseca integra o Passionistas (Congregação da Paixão de Jesus Cristo) e conta que o papel do sacerdote, da igreja, e do missionário se tornou mais intenso neste período. “Nunca vi e nunca me senti tão importante como sacerdote, como pessoa e como ativista dos direitos humanos como neste momento. Fomos desafiados, mas por um lado tivemos coragem de enfrentar as coisas, de ir em frente e estar com esse povo”, conta.  “Nós padres que já temos o compromisso de evangelizar, cuidar das pessoas, assumimos durante esse período responsabilidades que não deveriam ser atribuídas a nós, mas que fazemos porque senão as pessoas ficam desamparadas. Tenho que realizar as celebrações, falar sobre a palavra de Deus, mas as pessoas precisavam de outras coisas, além disso, como ter acesso à orientação e informação neste momento”, explica o padre que conta ainda que em partes do país, a doença é vista como algo irrelevante. “Algumas regiões de Moçambique nem sentem o impacto do coronavírus e nelas as pessoas ainda pensam que é uma invenção, uma mentira porque não vivenciaram diretamente alguém próximo, familiares ou pessoas da comunidade morrer de covid-19”, relata.


Os textos do livro descrevem também o conflito de relação que os padres possuem com questões políticas, econômicas e sociais da África, a relação dolorida do povo com a fome, o desespero e a forma como são tratados.


O padre Fonseca já esteve em Cascavel em 2012 e 2013 para estudar. Agora pós-graduado e com experiência em docência, voltar para a cidade para apresentar a segunda obra.


Segundo ele, se os casos em Moçambique não chegam a ser devastares, em várias partes do mundo são e é preciso ter consciência e coragem. “Precisamos ter o pé no chão e na realidade”. Encararmos de cabeça erguida confiando em Deus. Não é o fim do tudo, mas precisamos nos cuidar, precisamos enfrentar isso como homens maduros e mulheres maduras com fé no coração, seguir em frente.


Poligamia e ética


O primeiro livro escrito por ele possui o título “A poligamia e a ética. Aspectos da antropologia cultural do povo Makhuwa em Moçambique e os desafios atuais”. “O assunto do meu primeiro livro é direcionado aos casos de  poligamia – homens com  até cinco mulheres- e da poliandria  – mulheres que possuem vários maridos- e essa cultura ainda é frequente no país”.


Veja a entrevista completa com o padre:


Fonte: O Paraná

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