Um aplicativo de audiolivros contará histórias africanas inéditas

Os países africanos têm uma tradição de longa data de contar histórias orais, usadas para entreter e educar as gerações mais jovens sobre cultura e história. Agora, o empresário de tecnologia Herman Chinery-Hesse, conhecido por estabelecer a SOFTtribe, a maior empresa de software de Gana, quer manter essa tradição viva através de um novo aplicativo de audiolivros.



Afrikan Echoes será lançado em março, com até 50 obras africanas originais e inéditas que foram traduzidas para várias línguas africanas, incluindo iorubá, amárico e suaíli.

O inovador ganês diz que sua plataforma permitirá que pessoas de todas as esferas da vida contem suas histórias incontáveis no cenário internacional.


Contadores de histórias africanos de todo o continente poderão lançar suas histórias para Afrikan Echoes enviando notas de voz em sua língua nativa. Esses arremessos serão avaliados pela equipe criativa de Chinery-Hesse antes de serem gravados em seu estúdio.


Disponível no Android, com cada história custando US$ 1 para download, o aplicativo contará com uma variedade de estilos, desde ação e autobiografias até história e romance.

"No mundo de hoje, a tradição oral pode ser traduzida em áudio eletrônico", diz Chinery-Hesse à CNN. "Então, de repente, temos a tradição oral da África sobre esteroides, que é o que estamos tentando alcançar aqui."


"Gostaríamos de uma situação em que os não africanos possam ouvir histórias africanas contadas por africanos, de uma maneira africana", acrescenta.


Atingindo áreas rurais


De acordo com dados divulgados pelo Banco Mundial, cerca de 65% dos adultos na África Subsaariana são alfabetizados, em comparação com mais de 84% globalmente. Chinery-Hesse acredita que Afrikan Echoes permitirá aos africanos que não sabem ler a oportunidade de consumir histórias do continente.


Sua visão é que um dia, "se você dirigir para uma aldeia africana, você será capaz de encontrar todos sentados nos fundos da casa do chefe, orador, com um áudio livro tocando sobre algum evento em outra aldeia africana, em outro país africano, e todos eles estão ouvindo atentamente", diz ele.



Alcançar clientes que vivem em áreas rurais sem acesso à internet ou dados móveis é um dos maiores desafios da Afrikan Echoes. Segundo estimativas da União Internacional de Telecomunicações, em 2019 apenas 28% dos africanos usaram a internet.

É por isso que Chinery-Hesse está criando um modelo que permite que as pessoas compartilhem áudio livros enquanto estão offline. Ele diz que isso pode funcionar através de um botão no aplicativo que permitirá que algumas pessoas comprem audiobooks em massa e depois distribuam para outros via Bluetooth.


A Afrikan Echoes também usa textos SMS para alertar os clientes registrados para as versões de áudio livros mais recentes.


Financiado pela SOFTtribe, a Afrikan Echoes atualmente fica sem a casa de Chinery-Hesse em Freetown, Serra Leoa, e é abastecido com equipamentos de gravação que são usados para gravar até cinco histórias por semana.



Chinery-Hesse diz que a startup gastou menos de US$ 100.000 para lançar e que ele propositalmente evitou a captação de recursos para garantir que a empresa permanecesse inteiramente de propriedade africana.


Superando barreiras linguísticas


Michala Mackay, diretora de operações e diretora da Diretoria de Ciência, Tecnologia e Inovação na Serra Leoa, prevê que o aplicativo melhorará a digitalização na África, além de educar crianças e dar às pessoas oportunidades de contar histórias da maneira africana.


Michala Mackay

"Uma das restrições em poder vender nossas histórias são as barreiras linguísticas que temos", diz ela à CNN. "Afrikan Echoes lhe dá a oportunidade de contar sua história como você a conhece, em outra língua que outra pessoa em outro país com quem você não tem conexão, pode entender, aprender e ser capaz de experimentar as mesmas experiências que você tem."


"Você poderia ser um pescador sem educação, nunca passou pelas portas de qualquer sala de aula, mas ser capaz de contar sua história", acrescenta.


Entre os autores inéditos que contam sua história no aplicativo está Frank Karefa-Smart, cuja história conta sua vida colorida trabalhando em Nova York durante a época do movimento pelos direitos civis, e em toda a África Ocidental no comércio de diamantes.

Chinery-Hesse espera que histórias como essas conectem o continente de uma maneira única.

Chinery-Hesse

"As histórias que vamos produzir vêm de toda a África. Não é de cidade em cidade. É celular para celular, então de vila em aldeia. O mundo inteiro pode assistir e ouvir histórias africanas de africanos em todo o continente", diz ele.



Fonte: CNN

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